quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O cuidado com a saúde da mulher precisa ser pauta na gestão das empresas

Fonte: Segs

O movimento Outubro Rosa coloca a prevenção do câncer de mama no planejamento das ações corporativas, gerando maior valor e empatia

Há uma década o Outubro Rosa, movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, chama a atenção para a maior incidência da doenças nas mulheres. No Brasil, a Lei nº 13.733/2018 instituiu o período como o momento para compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.

Essas ações preventivas e de apoio podem fazer parte de uma estratégia de gestão da saúde das trabalhadoras brasileiras, com empresas e empresários atentos ao cuidado com a saúde feminina, principalmente neste momento em que o rastreamento e o tratamento foram prejudicados e ainda estão sendo retomados por conta da pandemia de Covid-19.

A medicina ocupacional cumpre muito bem esse papel, de acompanhar a trabalhadora na prevenção com conscientização, monitoramento, diagnóstico, encaminhamento e tratamento do câncer mais comum entre as mulheres, no Brasil e no mundo, que corresponde a cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano. Esse percentual é de 29% entre as brasileiras.

Ricardo Pacheco, médico, gestor em saúde, presidente da ABRESST (Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho) e diretor da OnCare Saúde, lembra que quanto antes a mulher for diagnosticada, maiores serão as chances de cura e menor será a necessidade de afastamento e de perda de renda da trabalhadora, na maioria das vezes a única fonte de renda da casa. “As campanhas de conscientização são fundamentais para a saúde da mulher, que ciente das medidas preventivas, as dissemina para amigas e familiares. Exames regulares podem oferecer um diagnóstico precoce, uma melhor qualidade de vida para elas e a manutenção de suas atividades, fundamentalmente importante no orçamento familiar”.

O médico enfatiza que as empresas têm um papel muito importante na prevenção. “É fundamental que o serviço de saúde não apenas apoie o combate à doença, mas principalmente participe de forma incisiva, incentivando os médicos e enfermeiros do trabalho se engajarem nessa luta, reforçando para as trabalhadoras a importância do diagnóstico precoce e sobre a melhor maneira de combater a doença”, destaca o presidente da ABRESST.

Quando detectado no início a chance de cura do câncer de mama é de 88,3% dos casos

Esse é um índice animador e serve de incentivo para as empresas. Mas é preciso ressaltar que gerir a saúde da trabalhadora é uma atividade complexa e, portanto, precisa ser delegada à uma organização experiente e preparada.

Para Ricardo Pacheco, um olhar dirigido da equipe especializada é capaz de garantir a saúde da mulher. “Quando o câncer na mama é detectado nos estágios iniciais, a chance de cura, segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, órgão do Ministério da Saúde) é de, em média, 88,3% dos casos. Com esse dado, é possível entender a importância e urgência de promover ações voltadas à saúde da trabalhadora, com uma gestão comprometida com seu bem estar físico e mental. O resultado impacta diretamente no resultado dos negócios”, alerta o médico e diretor da OnCare Saúde.

Ações que podem ser adotadas pelas corporações para incentivar a prevenção do câncer de mama

Algumas ações adotadas pelas empresas brasileiras já se mostraram eficientes para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de prevenir o câncer de mama.

O gestor em saúde destaca algumas das melhores práticas do mercado corporativo para fortalecer esta mensagem de conscientização: “Com o apoio da equipe médica, a empresa pode instituir um calendário anual de ações de atenção à saúde, como o Outubro Rosa. Com essa parceria é possível priorizar a comunicação com suas colaboradoras, garantindo que as informações cheguem por meio de conteúdos informativos via e-mail, comunicados na intranet, TVs internas, cartazes e/ou redes sociais da empresa. Também é possível instituir o Dia da Prevenção, liberando as trabalhadoras no horário de expediente para que se consultem com um médico e realizem exames preventivos. Campanhas internas, como espalhar pela empresa adereços na cor rosa e distribuição de materiais com o laço da mesma cor, têm um importante impacto na prevenção. Além da realização de reuniões, debates e palestras com informações sobre o câncer de mama e seus cuidados”, completa o médico Ricardo Pacheco.

Fato é que o câncer de mama não é uma doença totalmente prevenível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao seu surgimento e vários deles, não são atitudes modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles que podem ser mudados com a adoção de hábitos saudáveis e, nesse sentido, as empresas podem ter um papel fundamental na preservação da vida de suas colaboradoras.

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