Entrevista: Diagnóstico difícil – Ed. 342

Por Daniela Bossle/Jornalista e Editora da Revista Proteção

Transtornos mentais relacionados ao trabalho estão entre as principais causas de afastamentos

O médico especialista em Medicina do Trabalho e em Psiquiatria Arthur da Motta Lima Neto, 68 anos, de Porto Alegre/RS, nos conta sobre sua atuação na área de saúde mental dos trabalhadores que iniciou, por meio de sua consultoria, a Arthur Motta Associados – Consultores em Saúde e Segurança. Há mais de 40 anos ele atende o setor petroquímico e de petróleo, inicialmente como gerente em uma das plantas petroquímicas do Polo de Triunfo/RS, a antiga Petroflex, e depois como empresa terceirizada prestando serviços a diversas outras empresas dentro e fora do polo. O médico psiquiatra relata que quando abriu sua consultoria, há 25 anos, havia ainda pouca atenção para a saúde mental relacionada ao trabalho. Impulsionado pelo curso recém feito na Clínica Del Lavoro de Milão, pesquisas europeias sobre a elevação dos transtornos mentais relacionados ao trabalho, pelos conselhos do médico do Trabalho com atuação pioneira na gestão de saúde da Petrobras – doutor Daphnis Souto – já falecido, buscou aperfeiçoamento no tema no Brasil.

Na entrevista Motta fala do aumento assustador dos afastamentos do trabalho por doenças mentais em setores diversos como petroquímico e de petróleo, de trabalho em altura e espaço confinado, de segurança e transporte e finalmente, da saúde onde ele tem também relevante experiência. Comenta ainda sobre a pandemia da COVID-19 e sua interface com os adoecimentos mentais e sobre os novos desafios que se impõem ao mundo do trabalho.

De acordo com sua experiência de que forma vem-se atuando hoje com relação à saúde mental dos trabalhadores brasileiros?

A saúde mental dos trabalhadores no Brasil tem sido objeto de atenção por parte dos profissionais do SESMT, consultores externos, membros da CIPA, trabalhadores e seus sindicatos, associações de empresários e é claro, dos órgãos de fiscalização dos governos, especialmente federal. Mas isto é muito recente e temos muito ainda por fazer. Em 1965, Leavell e Clark propuseram o modelo da história natural das doenças, composto por três níveis de prevenção: primária, secundária e terciária. No que diz respeito à prevenção primária de doenças mentais relacionadas ao trabalho existem dois passos básicos a serem seguidos. Inicialmente, cabe ao SESMT e ao médico do Trabalho e coordenador do PCMSO instituir ações de saúde que visem a promoção da saúde mental dos trabalhadores. Palestras e orientações individuais durante as avaliações médicas periódicas são algumas das formas de levar aos trabalhadores informações ainda tão desconhecidas para eles. Complementarmente devemos atuar na proteção específica à saúde mental destes trabalhadores e aqui estamos falando de enfrentamento, eliminação, redução e minimização dos riscos.

Confira a entrevista completa na edição de junho da Revista Proteção.


Artigos relacionados

Notícias dos Tribunais – Ed. 343

Metas abusivas A 2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Eletropaulo Metropolitana – Eletricidade de São...

Entrevista: Inspeção em tempos de Covid-19 – Ed. 343

Por Martina Wartchow/Jornalista da Revista Proteção Reforço nas ações de prevenção em SST coloca Portugal entre os países europeus...

Covid-19: precaução é a medida – Ed. 343

Prevencionistas mobilizam-se para garantir retorno ao trabalho com segurança e saúde Até o fechamento desta edição de julho da...

Artigo – Segurança de máquinas: casos similares – Ed. 343

Estudo analisa acidentes com serra circular que geraram demandas judiciais para as empresas O artigo estuda os elementos fáticos...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui