quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Entrevista: ação estratégica – Ed. 346

Por Daniela Bossle/Editora e Jornalista da Revista Proteção

Diretor executivo da Animaseg defende política de governo em relação à produção nacional de EPIs

É difícil falar na entidade que representa as empresas de material de segurança e proteção ao trabalho no Brasil, a Animaseg, sem lembrar imediatamente do engenheiro Raul Casanova Junior, possivelmente pelo fato dele estar há 27 anos como diretor executivo da entidade, na linha de frente daquela que reúne a maior representação de fabricantes de Equipamentos de Proteção Individual e Coletiva da América Latina.

Quando a pandemia estourou no País, o setor de EPIs passou a ser o centro das discussões e de uma série de problemas gerados, na visão de Raul, por desinformação dos governos federal, estaduais, municipais, da mídia e pelo excesso de burocracia. O setor médico-hospitalar não conseguia adquirir máscaras PFF2, luvas e vestimentas suficientes vendo-se desprotegido em um momento crucial. Nunca se falou tanto sobre aquele que é considerado a “última barreira” de proteção do risco aos trabalhadores. “Hoje, há uma conscientização muito maior de cada trabalhador, de cada pessoa em todo o planeta, de que depois que todos os sistemas de gestão falharem, como falharam no caso do coronavírus, a única defesa que estes têm do risco é o EPI”, aponta.

Com 65 anos, nascido e residente em São Paulo, graduado em Engenharia Eletrônica e Administração de Empresas, ele exerce ainda a direção executiva da Abraseg, entidade que congrega os distribuidores e importadores dos equipamentos de segurança e proteção ao trabalho e a superintendência do CB-32 da ABNT, comitê específico para a criação de normas técnicas brasileiras para a área de EPIs.

Nos meses iniciais da pandemia a informação era de que faltavam EPIs no mercado, principalmente para os profissionais da saúde, gerando até um certo pânico. Quais foram os problemas?        

Acredito que um dos principais problemas foi a falta de conhecimento de todos os níveis de governo e da mídia sobre o tema, que induziram toda a população a adquirir produtos que deveriam ser destinados exclusivamente para os profissionais de saúde e para atividades específicas. Se de um lado a produção nacional tinha a capacidade necessária para atender o aumento de demanda gerado pela Covid-19 para esses profissionais, evidentemente, não tinha capacidade para atender toda a população. Outro problema enfrentado durante a pandemia foi o excesso de burocracia. A área hospitalar tem vários órgãos regulamentadores para os EPIs. As máscaras PFF2, por exemplo, têm três órgãos regulamentadores: o Inmetro, a Secretaria do Trabalho e a Anvisa. Em fevereiro deste ano somente três empresas tinham o registro da Anvisa para fornecer para a área médico-hospitalar. As demais empresas não se interessavam pelo setor, mas tinham o Certificado de Conformidade do Inmetro e o CA da Secretaria do Trabalho. Quando a Anvisa liberou de terem o seu registro, as empresas não tinham sistema logístico de distribuição adequado.

Confira a entrevista completa na edição de outubro da Revista Proteção.


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