Médica do Trabalho traz as recomendações da OMS para prevenção do Covid-19 nos ambientes de trabalho

NOTA DA REDAÇÃO

Por entendermos que informação é a melhor arma para impedirmos a disseminação do COVID-19 decidimos antecipar o conteúdo abaixo previsto para ser publicado na edição de abril da Revista Proteção.

Estamos correndo contra o relógio na luta contra a disseminação do Coronavírus. A médica do Trabalho e colunista da Proteção Marcia Bandini traduziu e adaptou as orientações da OMS para o desenvolvimento de um plano de prevenção e contingência no trabalho.
Confira o resumo!


As temperaturas amenas deste verão sempre convidam para um bom filme no fim de semana. Pessoalmente, gosto de alternar filmes novos com antigos e, assim, reassisti “Out­break” (Contágio), de 1995. O filme abre com uma frase do professor Joshua Lederberg, Prêmio Nobel de Medicina (1958): “a única grande ameaça ao domínio da humanidade no planeta é o vírus”. Vinte e cinco anos depois, o filme soa como uma boa “sessão da tarde” para um dia chuvoso, especialmente quando o médico do exército interpretado por Dustin Hoffman confronta o vilão, General McClintock.

Nossa história recente tem vários registros de epidemias que assustaram a humanidade. Certamente a mais conhecida foi a Gripe Espanhola que dizimou quase 5% da população mundial à época (1918), fazendo vítimas ilustres como o presidente brasileiro Rodrigues Alves. Em 1957, a Gripe Asiática levou 2 milhões de pessoas à morte. Em 1969, cerca de 3 milhões morreram pela Gripe de Hong Kong. Em 2009, a Gripe Suína fez cerca de 17 mil mortos.

O “vilão” da vez é o Coronavírus (Covid-19), identificado em dezembro de 2019 na China. O rápido avanço tem assustado muita gente. Até o fechamento desta coluna, o total de mortes já passava de 8 mil em quase 210 mil casos confirmados no mundo. O Brasil tinha 621 casos confirmados, seis mortes e quase 8.900 casos suspeitos. Os impactos são percebidos também na economia, com cancelamentos de eventos, desaquecimento dos mercados, aumento do dólar e queda nas bolsas de valores. O vírus virou assunto e como os ambientes de trabalho também são locais de aglomeração de pessoas, precisamos nos perguntar: “o que empregadores e trabalhadores devem fazer para prevenir a doença e/ou evitar novos contágios do Covid-19”?

Em 27 de fevereiro, a Organização Mundial de Saúde publicou orientações sobre adoção de medidas de proteção no trabalho (disponível em https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/getting-workplace-ready-for-covid-19.pdf). Aqui, apresentamos um resumo adaptado ao Brasil para orientar empregadores e trabalhadores a lidarem com a questão, com racionalidade e sem pânico. O primeiro é conhecer o “inimigo”.

A transmissão do Covid-19 se dá do mesmo modo que um resfriado comum. Ao tossir ou espirrar uma pessoa infectada expele gotículas que podem contaminar mesas, telefones ou estações de trabalho. Ao tocar nessas superfícies e depois tocar seus próprios olhos, nariz ou boca, outra pessoa pode contrair o vírus.

Os sintomas mais comuns são febre, cansaço e tosse seca. Alguns pacientes tem dores no corpo, congestão nasal, coriza, dor de garganta e, às vezes, diarreia. Em geral, os sintomas são leves e progridem gradualmente. Há relatos de pessoas infectadas que não apresentam sintoma algum e cerca de 80% dos que apresentam sintomas se recuperam sem nenhum tratamento especial. No entanto, uma em cada seis pessoas apresentam uma forma mais grave da doença, desenvolvendo insuficiência respiratória e podendo evoluir para óbito (por enquanto, apenas 2% dos pacientes). Por isso, sintomas de agravamento como febre, piora da tosse e dificuldade para respirar merecem especial atenção.

Medidas simples e de baixo custo podem ser muito efetivas para prevenir o Covid-19, protegendo trabalhadores e clientes. O ideal é tomar atitudes e ações educativas e preventivas, incluindo todos os trabalhadores, independente de vínculo.

O quadro a seguir traz uma adaptação das orientações da OMS e pode ser usado para desenvolver um plano de prevenção e contingência no trabalho, mas lembre-se de que é importante adequar as recomendações de acordo com as características de cada empresa. Esperamos que os 12 passos sejam úteis.


Marcia Bandini – médica especialista e professora em Medicina do Trabalho, com doutorado pela FMUSP
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