Quem disse que você está seguro abaixo do nível de ação?

– Professor, estava lendo a NR09, em relação ao nível de ação, e a norma indica ser o valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas de forma a minimizar a probabilidade de que as exposições a agentes ambientais ultrapassem os limites de exposição.

– Sim, meu filho, conheço esta parte da norma, mas porque está falando sobre isso?

– É que entendo o nível de ação como sendo uma espécie de margem de segurança, não é isso?

– Sim, concordo. Como o limite de tolerância não é totalmente confiável, pois é verdade para a “maioria”, mas não para todos, precisamos de um ponto de alerta antes dele.

– Perfeito, professor! Mas o senhor pode me explicar por que 50% do limite? É um chute ou tem um motivo lógico?

– Não, não é um chute. Acho que um exemplo pode facilitar o entendimento, imagine que após diversas avaliações químicas em determinado posto de trabalho você obteve os seguintes valores em ppm: 25, 23, 24, 23, 24, 25 e 24 e a média destes valores será igual a 24 ppm.

– Vamos aceitar que o limite de tolerância para este produto é de 50 ppm. Agora imagine uma situação em outro posto de trabalho, para o mesmo produto químico, em que obtivemos os seguintes valores em ppm: 41, 23, 39, 12, 22, 9 e 26 e neste caso a média será 24,57 ppm.

– Como o limite de tolerância é 50 ppm o nível de ação será 25 ppm e nos dois casos você percebe que, apesar da média ser próxima, os valores têm uma maior dispersão no segundo caso.

– Sim, os números do primeiro caso estão muito mais próximos, mas isto tem alguma influência?

– Sim! Na primeira situação, em função de haver pouca variabilidade dos dados coletados podemos ter maior certeza de que dificilmente estes valores irão ultrapassar o Limite de Tolerância. No entanto, no segundo exemplo, com valor médio muito próximo do primeiro, não teríamos a mesma confiabilidade em relação ao LT não ser ultrapassado devido aos números variarem muito.

– Mas como podemos avaliar se esta dispersão é elevada ou não?

– Podemos calcular esta dispersão por meio do Desvio Padrão, quanto mais baixo forem os valores obtidos, mais homogêneo são os dados.

– Professor, mas agora veio uma dúvida.

– Qual, meu filho?

– Para realizar este cálculo do desvio padrão eu vou precisar de algumas amostras, mas na prática as coletas são de uma ou no máximo duas amostras, ou seja, tenho uma incerteza imensa nestas avaliações.

– Perfeito, meu filho. Chega uma lágrima escorreu pela minha face com a sua conclusão. Este é um dos imensos problemas na área de Segurança do Trabalho. Adoramos avaliações quantitativas acreditando que teremos uma maior precisão, porém, em geral, fazemos estas avaliações com amostrais que não nos dão informações suficientes para tomarmos uma boa decisão.

– Entendi, professor! Quem está com lágrimas correndo pelo rosto sou eu. Significa que as minhas análises pontuais e anuais são quase inúteis.

– Sim, mas dispersamos do assunto do Nível de ação e agora não tenho mais tempo para concluir, mas no nosso próximo encontro comento sobre como saber se o nível de ação de 50% é suficiente ou não.


O blog Segurito na Proteção trata de questões relacionadas à SST. É editado pelo professor Mário Sobral Jr, que é Mestre, engenheiro de Segurança do Trabalho, especialização em Higiene Ocupacional e Ergonomia e Editor do Jornal Segurito.
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