Pioneiro da Medicina do Trabalho avalia a evolução da profissão
Fonte: Revista Proteção Foto: Valdir Lopes
O médico do Trabalho e especialista em Saúde Pública Jorge da Rocha Gomes iniciou na profissão antes da criação dos SESMTs. Em 1970, quando tornou-se chefe da Seção de Saúde Ocupacional da Volkswagen, já procurava trabalhar em conjunto com seu colega da engenharia para que pudessem conquistar avanços na prevenção. Sem deixar de valorizar os importantes momentos que viveu quando a Medicina do Trabalho nascia e crescia no país, ele é realista ao afirmar que “a pressão que existe hoje por parte dos órgãos governamentais está tornando o resultado do trabalho médico bem melhor”. Rocha Gomes também não foge a assuntos delicados como a conduta ética do médico dentro da empresa e os atuais conflitos existentes com a perícia do INSS.
Natural de Taquara, município gaúcho, fez faculdade de Medicina em Porto Alegre e depois pós-graduação em Saúde Pública na USP, em São Paulo. Lá se tornou professor titular da disciplina de saúde do trabalhador, função na qual se aposentou. Em sua trajetória constam experiências importantes como o trabalho no ambulatório de doenças profissionais do Sesi com o pioneiro Bernardo Bedrikow e a elaboração do primeiro curso para formação dos médicos do Trabalho, sob a coordenação do também precursor na área Diogo Pupo Nogueira.
PROTEÇÃO - Como era ser médico do trabalho quando o senhor começou? GOMES - Comecei minha carreira em 1959 no interior do Rio Grande do Sul como médico de zona rural. Eu era o único médico de uma pequena população de 12 ou 15 mil habitantes no município de Rodeio Bonito. Me formei e fui para lá, onde fiquei durante quase nove anos. Era um tipo de medicina bem precária, não tinha nem luz elétrica. As dificuldades de um médico recém-formado que ia para o interior eram muitas. Depois resolvi fazer pós-graduação em Saúde Pública em São Paulo, fiz o curso de um ano para médico sanitarista como se chamava na época, de onde se saía habilitado para ser diretor de posto de saúde. Me interessei pela área de saúde do trabalhador, e então cursei as disciplinas específicas e quando terminei defendi um trabalho sobre chumbo. Acabei saindo do curso como médico sanitarista e também como mestre em Saúde Pública, com a opção de atuar ainda em saúde do trabalhador. Fiz o meu treinamento no Sesi, onde conheci o doutor Bernardo Bedrikow. O ambulatório de doenças profissionais do Sesi era muito conceituado, era lá que praticamente todos os casos de doenças profissionais de São Paulo caíam. Foi uma aprendizagem importante. Eu trabalhei ainda como auditor fiscal da Secretaria Estadual do Trabalho, no Hospital do Servidor do Estado, onde o chefe era o mesmo doutor Bernardo, no INSS fazendo investigações de acidentes de trabalho graves, e mais tarde, o professor Diogo Pupo Nogueira me convidou para trabalhar na Faculdade de Saúde Pública. Em 1970 eu saí do Sesi e fui trabalhar na Volkswagen como médico da Policlínica Central que prestava serviço para eles. A Volkswagen foi o meu aprendizado prático onde fiquei até 86.
Confira a entrevista na íntegra na Edição 215 da Revista Proteção.
Fonte: Revista Proteção - 9/11/2009
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