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Sérgio Roberto De Lucca: organizações estão doentes

Fernanda Ferreira Gil
Data: 08/01/2019 / Fonte: Redação Revista Proteção/Daniela Bossle

O médico Sérgio Roberto De Lucca formou-se em 1983 na Unicamp (Universidade Federal de Campinas) concentrando sua residência em Medicina Preventiva e concluindo em seguida a especialização em Medicina do Trabalho. Fez carreira acadêmica na área de saúde do trabalhador e seu doutorado em 1994 foi focado nas questões de acidentes e mortes no trabalho.

Sua experiência paralela como médico do Trabalho e diretor de Saúde, Segurança e Meio Ambiente na Pirelli e depois na TIM, acabou contribuindo para que ele aguçasse seu olhar para os fatores que estavam acidentando e adoecendo boa parte dos trabalhadores, como a LER/DORT, com maior elevação a partir dos anos de 1980 e 1990 e os transtornos mentais mais recentemente. "Minha experiência na Tim, notadamente nos call centers, já anunciava uma mudança de rumo e a importância do impacto dos fatores psicossociais na gênese dos acidentes de trabalho. Desde então, dirigi minhas pesquisas e orientações para o campo da saúde mental e fatores psicossociais desencadeantes de estresse, sofrimento psíquico e adoecimento dos trabalhadores por transtornos mentais relacionados ou agravados pelas condições e modelos de gestão no trabalho contemporâneo", explica.

Atualmente De Lucca dedica-se integralmente à docência e à pesquisa na Unicamp onde coordena a área de Saúde do Trabalhador do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas. Nesta entrevista, ele fala sobre o aumento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho, não só no Brasil, mas em todo o mundo e sobre como os países da União Europeia vêm conduzindo esta questão junto às empresas. Utilizando a metodologia do HSE (Health and Safety Executive), traduzida e aplicada por ele em empresas brasileiras, ele relata sobre seus achados e perspectivas sobre a gestão da saúde mental no trabalho.

Na sua percepção, a que se deve o aumento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho no país? Sempre existiram e não eram percebidos ou de fato estão aumentando?
O que está acontecendo ultimamente é que parte das pessoas está sem trabalho, desempregada, nós temos hoje 13, 14 milhões de pessoas que estão desempregadas, e aquelas que estão empregadas estão trabalhando muito. Muito mais do que as 8 horas. Há os que trabalham 12, 14 horas. O trabalho, hoje, é contraditório, porque ele também pode gerar sofrimento e adoecimento. Muitas pessoas vão até trabalhar doentes com medo de serem demitidas. A partir dos anos 1990, com o advento das tecnologias de informação, do controle virtual, da invasão entre o público e o privado - à medida em que você é invadido na sua casa ou você leva coisas para casa e não consegue separar o tempo de lazer do tempo de trabalho - isso tem feito com que os transtornos mentais realmente aumentem. Estamos falando algo em torno de 200 mil casos novos de auxílio-doença no INSS relacionados a transtornos mentais. Isto representa 9% de todos os benefícios. Em 2017, tivemos 200 mil casos; em 2018 vamos ter cerca de 215 mil casos por ano. Isso de transtorno mental de um modo geral. Agora, os transtornos mentais relacionados ao trabalho são subnotificados.  Mesmo assim, temos, aproximadamente, 12 mil casos por ano. Então existe uma contradição: 200 mil casos não relacionados ao trabalho e só 12 mil casos relacionados ao trabalho. Quer dizer, parte desses casos que não estão relacionados ao trabalho, na verdade, está sendo subnotificada. Uma depressão, um transtorno de estresse, um transtorno de ansiedade podem acontecer por uma situação fora do trabalho, mas também podem ser agravados pelo trabalho. Tanto os médicos peritos da Previdência Social, quanto os médicos do Trabalho e os médicos psiquiatras, têm dificuldade de fazer o nexo individual. Se você está com uma hipertensão, por exemplo, você mede essa hipertensão. Se você perdeu um dedo, é evidenciada essa situação. Agora, no caso de um acidente de trabalho no qual você cai, bate a cabeça, tem um traumatismo cranioencefálico e começa a ter alterações de comportamento, não é tão evidente que esse transtorno mental seja relacionado ao trabalho. A mesma coisa se você presencia que o teu colega de trabalho foi preso numa máquina ou perdeu a vida por um acidente de trabalho: isso pode te ocasionar um transtorno de estresse pós-traumático. Uma outra situação é quando a pessoa está exposta cronicamente ou agudamente a alguns agentes tóxicos no meio ambiente que podem provocar alterações no sistema nervoso central. Por exemplo, solventes orgânicos, alguns metais, como mercúrio, chumbo ou mesmo manganês, que podem provocar uma síndrome parecida com Parkinson. E o terceiro, que é o mais importante, são aquelas situações da organização do trabalho, dos fatores psicossociais no trabalho, que podem estar agravando um transtorno mental.

Confira a entrevista completa na edição de janeiro da Revista Proteção.
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