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Saúde do trabalhador portuário será o principal foco de atuação da Fundacentro em Santos
Data: 16/12/2014 / Fonte: Fundacentro

São Paulo - Josué Amador, coordenador da ERBS-Fundacentro na Baixada Santista, afirmou durante a realização do I Seminário Santista sobre Capacitação, Formação, Saúde e Segurança do Trabalhador Portuário, coordenado pela UNIFESP, que o principal foco de atuação da entidade em Santos será voltado à saúde do trabalhador portuário.

Sabemos das dificuldades dos trabalhadores aqui na Baixada pela busca no reconhecimento dos riscos a que estão expostos", observou Amador durante a sessão solene de abertura.

A primeira palestra técnica da manhã abordou a "Formação de formadores - a experiência dos estivadores santistas em Antuérpia", apresentada por João Renato da Silva Nunes e Reinaldo Nascimento, ambos trabalhadores esticadores do porto de Santos que tiveram a oportunidade de visitar o Centro de Treinamento Portuário em Antuerpia-APEC.

Considerado uma referência para o mundo, o porto belga passou por grandes transformações depois de 1973, data em que foi marcada pela morte de 12 trabalhadores no Porto de Antuérpia, com a implementação de medidas de segurança para que não ocorressem mais fatalidades. O Centro segue a Convenção 137 da OIT, e diferentemente do Brasil, todo trabalhador portuário deve ter conhecimento dos processos de operação no porto, e não somente em uma única atividade. "O operador sai de lá do Centro sabendo de todo o procedimento, pois recebe capacitação durante 40 dias em período integral de curso", observa Silva Nunes.

Carla Regina Alonso Diegues, outra palestrante do período da manhã, mostrou aos participantes como se dá a representação social do estivador, tema que foi abordado em sua tese de doutorado. Para ela, a sociedade ainda vê o trabalhador do porto com preconceitos, não havendo, portanto, o reconhecimento social do trabalho do estivador.

Carla observa que para que haja mudança nessa representação social, é preciso pensar em estratégias que convide a sociedade a participar dos movimentos de luta dos trabalhadores, mas principalmente envolver os sindicatos que possuem um papel fundamental.

A atividade de capatazia foi outro tema abordado durante a realização do Seminário. Sandro Marçal, técnico de segurança do trabalho e trabalhador da capatazia do Porto de Santos, defendeu a NR-17, como parte importante do processo da atividade. "Não queremos ginástica laboral, mas sim um olhar voltado para a questão postural do trabalhador", afirmou.

Uma das atividades que mais exige esforço físico é a peação/desapeação e estivagem/desestivagem. Segundo João de Jesus, membro da CPATP, a modernização no porto de Santos transformou o trabalho com a introdução de novas tecnologias, especialmente na operação de embarque e desembarque, como, por exemplo, das pás eólicas em navios.
Ricardo Carvalhal, engenheiro da OGMO Santos colocou que a área portuária ainda apresenta uma série de obstáculos, pois são vários atores envolvidos e vários tipos de atividade envolvendo diferentes interesses econômicos, sendo difícil alinhar todos os pensamentos. Entretanto, para diminuir os acidentes, a OGMO vem usando como estratégia, campanhas de conscientização, a aproximação com profissionais de segurança dos operadores portuários e a agilização nos processos de treinamento desses trabalhadores.

O estivador dentro da universidade
A UNIFESP de Santos é pioneira em abrir as portas e levar para dentro do mundo acadêmico, o trabalhador portuário. Como forma de reforçar o compromisso e o papel social, em 2008, iniciava-se o trabalho na UNIFESP com a realização de uma pesquisa que levantava os determinantes de adoecimento desses trabalhadores.

Coordenado pela professora e doutora, Maria de Fátima Ferreira Queiróz, foi criado em 2013, o Grupo PET-Programa de Educação em Trabalho - Vigilância em Saúde do Trabalhador, em parceria com a Fundacentro, Secretaria Municipal de Santos, Cerest, OGMO-Santos, trabalhadores da estiva do Porto de Santos e outros, com o objetivo de aproximar os trabalhadores da universidade.

Fátima Queiroz conta que a UNIFESP tem um compromisso e papel social com o trabalhador. Para ela, o trabalho do grupo engrandece o trabalho da universidade, transformando o saber do trabalhador em outros saberes.

Em sua palestra abordada no Seminário, a professora fez um relato histórico do trabalhador portuário e a sociedade, onde no século passado o trabalhador vinha de uma construção simples. Na década de 60, com a chegada do contêiner, o trabalho passa a ser mais unificado, transformando, portanto, o porto e o trabalho, levando a uma privatização e quebra dos trabalhadores enquanto classe. Para ela, é necessário que haja uma mudança de visão considerada antiga entre trabalhadores e sociedade, mostrando que a subdivisão do trabalho é cada vez mais constante.

Sylvia Batista é vice-diretora do campus da Baixada Santista e parabenizou a iniciativa da professora Fátima em levar o PET para dentro da universidade possibilitando abrir a aprendizagem ao trabalhador portuário.

No período da tarde, os painéis abordaram temas voltados à realidade do trabalho no Porto de Santos, a vigilância e a saúde do trabalhador portuário, a universidade na formação em saúde e segurança do trabalhador portuário e debates e propostas para capacitação, formação, saúde e segurança do trabalhador portuário.

No final da tarde, houve uma roda de conversa entre os estivadores e a coordenação do evento, com o objetivo de levantar as principais questões colocadas ao longo do dia, bem como propostas de melhorias no ambiente de trabalho.
Juliana Andrade Oliveira, tecnologista da Fundacentro foi mediadora do painel: A Universidade na Formação em Saúde e Segurança do Trabalhador Portuário.

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