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Nota da Fundacentro sobre os impactos do amianto

Valdir Lopes
Data: 14/05/2019 / Fonte: Fundacentro

Em atenção à proposta de instalação da Comissão Temporária Externa para conhecer a realidade de Minaçu - CTE Minaçu no Senado, a Fundacentro, instituição de pesquisa técnico-científica do governo federal sobre saúde e segurança no trabalho, destaca que desde a década de 1990, conduz trabalhos sobre as consequências da exposição ao amianto no Brasil, fornecendo atendimento médico a expostos e ex-expostos ao mineral.

Em um levantamento de trabalhadores atendidos na instituição e apresentado ao Supremo Tribunal Federal - STF em 2012, de 1333 trabalhadores expostos, 356 tiveram diagnosticadas doenças associadas ao amianto, o que corresponde a 26,7% do total. Na ocasião foram computados 139 casos de asbestose, oito de câncer de pulmão, sete de mesotelioma e dois de câncer de laringe.

Em trabalho publicado no ano de 2015, demonstrou-se que há um aumento expressivo de casos de mesotelioma no estado de São Paulo no período de 2000 a 2012. Houve um nítido excesso de casos de mesotelioma em municípios paulistas que fizeram uso de crisotila por diversas décadas, como na cidade de Leme, chegando a 11 vezes ao observado no Brasil.

A instituição também tem capacitado médicos na identificação de casos de doenças relacionadas ao amianto, apresentado e publicado dados epidemiológicos, clínicos e de políticas públicas e participado de audiências públicas que debateram o tema. Os trabalhos dela compuseram, juntamente com outros milhares de documentos, um dossiê de informações que municiaram os ministros do STF nos debates sobre o uso do amianto no Brasil, culminando com a declaração de inconstitucionalidade do seu uso em novembro de 2017.

A exposição ao amianto ocorre nos ambientes de trabalho, no domicílio de trabalhadores que trazem suas roupas de trabalho contaminadas, nas vizinhanças de empresas que o utilizam no seu processo de produção e nos sítios contaminados (antigas áreas fabris). Atualmente, calcula-se que, no mundo, mais de 120 milhões de pessoas estão expostas tanto no ambiente de trabalho como de forma inadvertida. Entre os principais produtores, estão países como a Rússia, o Casaquistão e a China. Em 2015 o Brasil produzia 15% de toda produção mundial. Mais de 80% da população mundial vive em países onde se utiliza asbesto.

A população indiretamente exposta é muito superior aos ocupacionalmente expostos. Os países desenvolvidos não utilizam mais a fibra devido ao seu potencial cancerígeno, com exceção dos Estados Unidos que usa menos de 5% do volume de amianto atualmente consumido no Brasil. Estimativas atuais calculam em mais de 200.000 mortes por ano em consequência de exposições ocupacionais e ambientais ao amianto no mundo.

Calcula-se que haja mais de 7 milhões de toneladas de amianto na sociedade brasileira, sob forma de fibras não trabalhadas, produtos transformados contendo amianto, amianto instalado e produtos contendo amianto descartados.
Por fim, destaca-se que o amianto é indestrutível, permanecendo de forma permanente no meio ambiente. Todos os tipos dessa fibra são classificados como cancerígenos do Grupo 1, pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer- IARC, órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), associados a risco aumentado dos cânceres de pulmão, laringe e ovário, e causa do mesotelioma, câncer que atinge a pleura e o peritônio, de alta letalidade. Mesmo com o banimento no Brasil, teremos que enfrentar as consequências à saúde do seu uso e do passivo ambiental ainda por muitas décadas.


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