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Lançado dossiê sobre intervenção em saúde do trabalhador
Data: 07/12/2018 / Fonte: Fundacentro

São Paulo/SP - Um dia de comemorações. Assim foi o 67° Encontro Presencial do Fórum Acidentes de Trabalho, realizado em 5 de dezembro, na Fundacentro, em São Paulo/SP. Na ocasião, foi lançado o dossiê da Revista Brasileira de Saúde Ocupacional - RBSO sobre intervenção em saúde do trabalhador. Também se celebraram os aniversários de 10 anos do Fórum e de 45 anos da publicação.

O evento contou com palestras de autores do dossiê lançado e uma breve reflexão sobre a intervenção em saúde do trabalhador realizada pelo editor chefe da RBSO, José Marçal Jackson Filho, e Ildeberto Muniz de Almeida, do Fórum AT e professor da Faculdade de Medicina da Unesp Botucatu.

Entre os palestrantes, Leny Sato, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - USP, falou sobre a pesquisa-intervenção participativa com trabalhadores da manutenção de Universidade Pública. Eles seriam substituídos por terceirizados. "O desmonte é o passo anterior à terceirização. O trabalho realizado e o conhecimento envolvidos são invisibilizados", explica.

Os trabalhadores da manutenção apontavam como o trabalho que realizavam era importante, e a memória emergiu como um aspecto fundamental da resistência. "Esse processo apontou que o sofrimento das pessoas estava no fato de o trabalho ser desvalorizado", aponta Sato.

Uma das principais referências para estudos sobre a memória é a já falecida professora da USP e psicóloga, Ecléa Bosi. Outro autor importante para a pesquisa participante é Paulo Freire, especialmente, o artigo "Criando métodos de pesquisa alternativa, aprendendo a fazer melhor através da ação", publicado no livro "Pesquisa Participante", organizado por Carlos Rodrigues Brandão.

A importância de Paulo Freire também foi citada na palestra do professor da Faculdade de Saúde Pública, Rodolfo Vilela, que apresentou modalidades de intervenção e os desafios do Laboratório de Mudanças. Essa metodologia finlandesa tem sido aplicada no Brasil. "Mudança é um processo contínuo de transformação. Pressupõe o diálogo, ouvir o outro, perceber o que de potencial existe em relação ao trabalho", defende Vilela.

As ideias de Vygotsky, que inspiram o Laboratório de Mudanças, relacionam-se com Freire. Nesse método, é preciso olhar para todas as partes - o objeto, o sujeito, o resultado, as regras, a comunidade, a divisão de trabalho - e compreender a relação dialética entre esses elementos. "É um novo paradigma para entender e transformar os sistemas com a visão da interação dos elementos desse conjunto para mudar o objeto", explica o professor.

Deve haver espaço para as múltiplas vozes. Assim, considera-se o conceito de aprendizagem expansiva em que se realiza a estimulação dupla. Parte-se da realidade e se estimula o debate, oferecendo conceitos que auxiliem a entender as origens dos problemas. Busca-se promover uma compreensão sistêmica e a transformação por meio do protagonismo.

"Saímos de uma visão de culpabilização, que incide sobre o indivíduo, para uma discussão sistêmica", coloca Rodolfo. Há um conjunto de interações - metas, clientes, questões da organização do trabalho - e é preciso entender as causas históricas do problema. "O que precisamos fazer para mudar as contradições? Que mudanças devem ser feitas no sistema para transformar?", questiona.

Já Luiz Carlos Fadel, médico da Fiocruz, apresentou o tema de seu artigo na RBSO - "Vigilância em saúde do trabalhador: decálogo para uma tomada de decisão". "Nós somos uma tribo em extinção. Nossa resistência tem que ser ofensiva. Precisamos rever os critérios acadêmicos de produção de conhecimento", afirma Fadel.

"Retomar as ações em saúde do trabalhador ou continuá-las é, ao mesmo tempo, ter que enfrentar problemas concretos", finaliza Pina, que coordenou o debate após as apresentações.

Comemoração
Além de ser um espaço reflexivo, o evento foi comemorativo, marcando os 10 anos do Fórum Acidentes do Trabalho, os 30 anos do Sistema Único de Saúde - SUS e os 45 anos da RBSO. "Esse momento é mais um marco na história da Fundacentro", avalia a presidente da Fundacentro, Leonice da Paz.

"O Fórum realmente é uma fonte de excelência que nos dá subsídios para a fiscalização e a revista traz elementos técnicos que podem nos dar referências", complementa o diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST) da SIT, Kleber Silva.

A mesa de encerramento também contou com a presença do diretor técnico da Fundacentro, Robson Spinelli; Eduardo Algranti, editor chefe da RBSO; Ildeberto Muniz de Almeida, do FórumAT; e Katia Reis, pesquisadora da Fiocruz.

O evento teve a coordenação técnica dos servidores da Fundacentro, que atuam na RBSO, Cezar Akiyoshi Saito, Eduardo Garcia e Júlio Cesar Lopardo Alves e foi realizado em parceria com o Fórum Acidentes do Trabalho (Fórum AT).
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