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Memória
Intoxicação por mercúrio
Intoxicação por mercúrio

Mais de 30 anos separam a calamidade de Minamata, no Japão, e o drama do piauiense Valdeque


Há exatos 65 anos, os riscos decorrentes da contaminação pelo mercúrio ficaram mais evidentes. Em 1953, 79 pessoas morreram envenenadas na cidade de Minamata no Japão por exposição a esse agente químico. Além dos mortos e ainda naquele ano, foram contabilizados mais 600 casos de pessoas doentes. Até o ano de 2000 foram diagnosticados oficialmente cerca de três mil vítimas.

Minamata é uma região de pesca e a grande maioria dos doentes vivia dessa atividade, consumindo os peixes regularmente.

Com o passar do tempo, os moradores da cidade que se alimentavam do pescado, começaram a sentir sintomas como perda da visão, problemas de coordenação motora e espasmos musculares. Pesquisas, mais tarde, demonstraram que as deficiências eram causadas pela destruição dos tecidos do cérebro, em razão da contaminação pelo mercúrio. A doença ficou conhecida como hidrargirismo, que significa intoxicação, na maioria dos casos grave, aguda ou lenta, causada pela exposição ou consumo involuntário do mercúrio.

Até então, não se sabia de que maneira a contaminação havia acontecido.

O mistério só foi desvendado em 1956, quando as autoridades japonesas descobriram que uma indústria local utilizava um composto de mercúrio que, ao atingir a baía de Minamata, incorporava-se à cadeia alimentar dos peixes. Os compostos orgânicos do produto químico, presentes nas carnes dos animais pescados, causavam doenças nas pessoas que a consumiam.

LÂMPADAS FLUORESCENTES

Passados 34 anos desde o problema acontecido em Minamata, mais precisamente em 1987, o piauiense Valdeque Carvalho foi contratado para trabalhar numa fábrica de lâmpadas no interior de São Paulo. Jovem e cheio de planos, ele tinha 21 anos de idade. Trabalhava como operador de produção, tarefa que consistia em colocar lâmpadas fluorescentes em máquinas operatrizes, para que fossem "seladas".

Durante o serviço, por diversas vezes, as lâmpadas quebravam derramando o mercúrio líquido nelas contido e Valdeque conta que, no final da jornada de trabalho, ele era um dos responsáveis por recolher o material. Aos poucos, o manuseio do metal começou a lhe provocar vômitos, diarreia e sangramento na gengiva.

Em 1992, Valdeque, já com 26 anos de idade, iniciou a mais dura prova de sua vida: lutar contra os efeitos de uma doença invisível e que transformou sua existência numa interminável rotina de tratamentos. No ano seguinte, 1993, o metalúrgico e sua esposa perderam uma filha recém-nascida devido a uma má-formação, provavelmente pelo fato de a criança ter sido, infelizmente, gerada por alguém contaminado por mercúrio.

Entre tantas idas e vindas ao INSS e até o Hospital das Clínicas da Unicamp, Valdeque recebeu o diagnóstico definitivo que dizia que o quadro clínico que ele apresentava era compatível com intoxicação crônica por mercúrio elementar inorgânico com sequela no sistema nervoso central, necessitando de tratamento psiquiátrico/psicoterapêutico.

Em 1998, aposentado definitivamente por invalidez, Valdeque não vive mais sem as sessões de terapia psiquiátrica que faz regularmente e muito menos sem os calmantes e antidepressivos que consome. Restou o carinho e a paciência da esposa, sobretudo nos momentos de angústia.

Quantos "Valdeques" nosso país produz anualmente, vítimas de contaminação por agentes químicos agressivos? A resposta ninguém sabe dar. Refletir sobre isso é importante. Antes e agora!

*Coluna publicada na edição 324, dezembro de 2018.




Luis Augusto de Bruin
- Especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário, professor em cursos de formação de Técnico de Segurança do Trabalho e consultor de empresas na área de políticas de prevenção.
 
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