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Memória
Inferno em Cubatão
Inferno em Cubatão

Há 35 anos, vazamento de gasolina na refinaria da Petrobras deixou, oficialmente, 93 mortos


Foram chocantes as imagens transmitidas a todo o planeta, relativas ao incêndio do último dia 18 de janeiro de 2019 no gasoduto Tula-Tuxpan a alguns quilômetros de uma das maiores refinarias de combustíveis do México. Pessoas perfuravam a tubulação para roubar gasolina quando tudo explodiu. Oficialmente, o acidente produziu 83 vítimas fatais.

Por uma infeliz coincidência, em fevereiro, relembramos os 35 anos de uma tragédia muito parecida como a ocorrida no México, mas que aconteceu no Brasil, mais precisamente na localidade denominada de Vila Socó - atualmente Vila São José - no município de Cubatão, litoral paulista.

Por volta das 22h30min, do dia 24 de fevereiro de 1984, moradores da região perceberam o vazamento de gasolina de um dos oleodutos da Petrobras que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal Alemoa. A tubulação passava em uma região alagadiça - conhecida como mangue - em frente à vila constituída em sua maioria por palafitas.

Naquela noite, segundo foi apurado depois, um operador cometeu um engano numa manobra e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação que se encontrava fechada, gerando um excesso de pressão e a ruptura de canos. Imediatamente foram espalhados 700 mil litros de combustível na área. Bastava uma fagulha para que o fogo irrompesse.

E foi o que aconteceu, cerca de duas horas após o início do vazamento. A ignição seguida de incêndio alastrou o fogo que atingiu cerca de 700 construções. O número oficial de mortos foi de 93, porém algumas fontes citam um hipotético total de 300 vítimas fatais, tomando como base o número de alunos que deixou de comparecer à escola e o óbito de famílias inteiras sem que ninguém reclamasse os corpos. A Vila Socó era habitada por pessoas pobres e humildes, sendo que muitas delas não possuíam qualquer tipo de documento para provar que existiam.

CORROSÃO
Duas imagens são recorrentes nos relatos de quem, há 35 anos, sobreviveu ao inferno daquela noite. A do homem que colocou os filhos dentro de uma geladeira na ilusão de salvá-los do fogo e de uma família inteira morta durante a fuga, cujo barraco em que moravam nem sequer ficou chamuscado pelas chamas.

O laudo técnico admitiu que a ruptura do duto foi provocada também por resultado de uma corrosão em sua face externa. Havia comprometimento de espessura. A estatal petrolífera assumiu sua responsabilidade no episódio, mas retrucou que, quando da construção do Oleoduto Santos-SãoPaulo, não havia moradias no traçado da obra.

O pedreiro Josafá Joaquim de Sousa esteve presente no dia do incêndio. Ele conta que nunca esqueceu o que viu. Adolescente na época, diz que o fato lhe marcou pelo resto da vida. Hoje ele se assusta com qualquer tipo de ruído. Para dormir, só tomando calmantes.  "Perdi vários amigos", relembrou chorando. Um dos primeiros bombeiros a chegar ao local do fogo, o coronel reformado da PM, Cláudio Marquês Trovão, informa que a caminho da ocorrência não tinha ideia da sua extensão. Diz o coronel, "os moradores nos procuravam para que fôssemos aos barracos com eles. Nós fazíamos isso, mas lá encontrávamos mulheres, crianças e bebês todos carbonizados. Um verdadeiro horror".

Brasil e México são considerados países irmãos. Infelizmente estes laços não são lembrados apenas pela fraternidade, mas, infelizmente, também pelas tragédias provocadas pela falta de uma atenção maior no que tange às políticas de segurança e prevenção.

*Coluna publicada na edição 327, março de 2019.




Luis Augusto de Bruin
- Especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário, professor em cursos de formação de Técnico de Segurança do Trabalho e consultor de empresas na área de políticas de prevenção.
 
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