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Memória
Galpão da Gameleira
Galpão da Gameleira

Acidente de trabalho que matou 69 trabalhadores e feriu outros 100 completa 47 anos


Fevereiro de 1971, dia 4. Bairro da Gameleira, em Belo Horizonte. Centenas de operários da construção civil trabalhavam febrilmente para concluir as obras do Palácio de Exposições. A pressa para terminar as obras visava atender exclusivamente à vaidade do então governador do Estado das Minas Gerais, Israel Pinheiro. Ele exigia, a todo custo, inaugurá-los antes do final do seu mandato. Então, foi dada a ordem da retirada das vigas de sustentação - ignorando a opinião dos operários, que advertiam haver fissuras nos alicerces e que a estrutura ruiria a qualquer momento.

"Há muitos dias que a estrutura da construção estava estalando", foi a declaração do carpinteiro Antônio Miranda ao jornal Estado de Minas, no dia seguinte ao ocorrido. Assim como ele, vários trabalhadores anteviram o desastre e alertaram os responsáveis pela obra projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Eram 11h45min da manhã quando a construção de 10 mil toneladas veio abaixo. Com a queda, 69 trabalhadores morreram na hora. Outros 100 ficaram feridos. Muitos deles tiveram que ficar meses internados em hospitais da capital mineira. Vários sofreram amputações. Os dados não incluem os óbitos posteriores ocorridos nas casas de saúde.

"O desabamento aconteceu no horário do almoço. Porém, muitos operários encontravam-se no interior da obra para recomeçarem seus trabalhos. Não houve tempo para correr. Quem estava lá dentro foi enterrado sob toneladas de destroços. Quando a poeira baixou, muita gente gritava debaixo dos escombros com um braço preso ou uma perna esmagada. Tinha vários amigos meus lá embaixo. Não tive como ajudá-los", prossegue Miranda.

LAUDOS
As conclusões técnicas sobre o colapso da estrutura foram a de que o concreto não atingiu o tempo de cura necessário para que o escoramento pudesse ser retirado e que a resistência não seguiu os parâmetros definidos pelo engenheiro calculista. Também aconteceram falhas no processo de destacamento das escoras. É o que consta nos laudos periciais usados pela Justiça de Minas Gerais para emitir a sentença em 2006. Trinta e cinco anos após o acidente.

Constam dos documentos técnicos emitidos, que o método para retirada do escoramento, embora não tenha causado a ruptura, impediu que se avaliasse previamente o desempenho da estrutura, permitindo que o desabamento ocorresse de maneira completamente imprevista. Outra aberração informa que a obra, que começou em 15 de junho de 1969, até o dia da tragédia, não tinha um engenheiro responsável. "A suntuosidade do empreendimento exigia que as decisões fossem concentradas em um profissional ou grupo de profissionais dotados de grande capacitação técnica. Contudo, não havia um norte a seguir, desempenhando cada um dos réus, denunciados no inquérito policial, suas atribuições como se fossem partes isoladas do conjunto da obra", denuncia um dos laudos.

A partir do acidente que pôs abaixo 10 mil toneladas de concreto e vitimou tantas pessoas, a engenharia nacional decidiu rever conceitos e tirou lições importantes da tragédia, como uma normatização mais rigorosa quanto aos procedimentos envolvendo grandes estruturas. Foi idealizada a NB-01 conhecida como a norma básica para concreto que hoje é identificada como ABNT - NBR 6118.

Fica o registro e a lembrança daqueles que partiram, vítimas da ganância e da obsessão pelo poder dos governantes da época, não muito diferente dos atuais dirigentes públicos deste país.

*Coluna publicada na edição 322, outubro de 2018.




Luis Augusto de Bruin
- Especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário, professor em cursos de formação de Técnico de Segurança do Trabalho e consultor de empresas na área de políticas de prevenção.
 
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