Banner Bracol 1 Novembro
Banner 1 Marluvas - Set/Dez
 
 
    Acidentes do Trabalho
    Doenças Ocupacionais
    Empresas & Negócios
    Estatísticas
    Eventos
    Geral
    Legal
    Leia na Edição do Mês
    Práticas de Prevenção
    Produtos & Serviços
    Últimas Notícias
P NN Eventos - Banner 5


Você está em: Matérias / Entrevistas / ZUHER HANDAR - Dirigente da Anamt fala das perspectivas para a formação e o exercício da Medicina do Trabalho
Entrevistas
ZUHER HANDAR - Dirigente da Anamt fala das perspectivas para a formação e o exercício da Medicina do Trabalho

Desde o início de sua formação como médico, Zuher Handar já atuava com Saúde Coletiva e Medicina Preventiva. Em 1969, recém-formado, trabalhou no interior do Paraná com saúde pública. Na década de 80, quando a saúde do trabalhador começava a ser discutida, os casos de intoxicação por chumbo chamaram sua atenção. Era a época em que ele estava na Secretaria Estadual de Saúde de Curitiba, quando dirigiu diversos setores e órgãos relacionados à Saúde Ocupacional. Em 1989 ele criou um dos primeiros departamentos de saúde do trabalhador do país dentro de um sindicato de trabalhador, no Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, que o contratou e onde atua até hoje como consultor.

Uma de suas principais características é a facilidade com que transita por distintos segmentos, sejam eles de trabalhadores, de empresas ou de governo. Logo após sua passagem pela Fundacentro Paraná nos anos 90, o médico foi chamado para assumir a então Secretaria de Saúde e Segurança do Trabalho do MTE em Brasília onde ficou por cinco anos, durante o governo de Fernando Henrique.

Nesta entrevista, Handar que é hoje presidente da mais importante entidade de Medicina do Trabalho do Brasil, a Anamt, reflete sobre aspectos cruciais para o aprimoramento da especialidade como a ética na atuação do médico do Trabalho, sua formação e capacitação, bem como algumas melhorias necessárias para o aprimoramento deste profissional seja na empresa, numa instituição pública, num sindicato ou numa consultoria. "A missão do médico do Trabalho e da própria Anamt é de promover e preservar a saúde do trabalhador, independentemente de onde ele estiver atuando", ensina.

O seu perfil de médico do Trabalho é um pouco diferente do usual. O médico normalmente está mais ligado à empresa e inclusive, muitas vezes, é criticado por ter uma posição mais na defesa da empresa do que na saúde do trabalhador. Como o médico do Trabalho deve se posicionar nesta questão?

Por ter iniciado a minha carreira com os trabalhadores acabei vinculado muito a esta questão, o que para mim foi ótimo, não tenho dúvida quanto a isto. Mas é importante mencionar que hoje a tendência é a diversificação da atuação do médico do Trabalho. A Anamt consegue aglutinar esta diversidade de profissionais ligados não só a empresas, mas também a instituições públicas, e inclusive ao movimento sindical. Nas próprias gestões da entidade há profissionais que atuam em diferentes áreas. Isto é importante porque a Medicina do Trabalho dentro dessa perspectiva da relação Saúde e Trabalho, permeia diversos setores. Mas a área de saúde do trabalhador, de Medicina do Trabalho, começou na empresa. Infelizmente, sinto que nossos colegas médicos ainda sofrem muito nesse processo. Não posso generalizar com relação às empresas, mas aquilo que a OIT e que a OMS preconizam sempre nas suas convenções, a independência do papel do médico do Trabalho dentro das empresas ou em qualquer atividade que ele esteja desenvolvendo é uma coisa que continua ainda muito delicada. A missão da empresa é promover a saúde do trabalhador. Então, quando eu contrato um médico do Trabalho, não é para ele cuidar do trabalhador só para ele voltar a trabalhar. Na realidade é para eu promover a saúde do trabalhador e também para que o médico possa ajudar o empresário a olhar para dentro do seu processo do trabalho. E isso não é só tarefa do médico, mas de toda a equipe de Saúde do Trabalho, que deve fornecer subsídios para que se saiba o que aquele processo pode trazer de prejuízo para a saúde das pessoas. Só que esta equipe ou este profissional tem que ter independência para poder chegar e falar para o empresário: `olha isto está errado, precisamos mudar`. Nossos colegas têm muitas dificuldades e sofrem muito com isso, porque precisam fazer determinadas coisas e muitas vezes são tolhidos em suas iniciativas. Sinceramente, precisamos mudar algumas coisas no Brasil.

No caso da atuação do médico do Trabalho, é preciso entender qual o seu papel, para quem ele trabalha, quem é o beneficiário da sua ação - logicamente que é o trabalhador -, então, o trabalhador tem que ter esta confiança no médico do Trabalho, na sua atividade, tem que acreditar naquilo que o médico faz. Por outro lado, o empresário também tem que ter confiança na sua proposta e o médico, por sua vez, tem que atuar de maneira eticamente responsável.  Isto é fundamental para que ele possa ter a garantia da confiança do trabalhador e do empresário.  Nas grandes empresas o médico é mais exigido e é mais preparado. Mas temos as pequenas e médias empresas que, muitas vezes, é onde temos grandes problemas. É justamente onde não tem um médico do Trabalho para atuar, pois a própria NR diz que você pode contratar uma empresa que preste este serviço. Esta relação é que tem que ser um pouco mais coerente, mais ética. A exigência legal é necessária, mas o que acaba acontecendo é que as empresas só querem ter médico do Trabalho ou desenvolver determinadas coisas para cumprir o que a lei diz. Precisamos de uma política coerente tanto para o médico quanto para o trabalhador e o empresário, para que possamos trabalhar numa perspectiva de atenção integral à saúde do trabalhador. Que o empresário possa ver no médico, um aliado que vai ajudá-lo a promover a saúde. Com a promoção da saúde, não deixamos o trabalhador ficar doente e ele produz com maior satisfação e com mais qualidade. Acho que essa é a perspectiva. O que não podemos hoje é correr atrás do menor preço.

ENTREVISTA AO JORNALISTA
Alexandre Gusmão

FOTO
Olga Produções

Confira a entrevista completa na edição 268 da Revista Proteção

 
Mais de Entrevistas
 
1     2     3     4     5     6     7     8     9     10
Edição do Mês
 
 

 
 
© Copyright 2009 - Revista Proteção. Todos direitos reservados.
Rua Domingos de Almeida, 218 - 93.510-100 - Novo Hamburgo - RS - Brasil. Central de Atendimento: 51 2131.0400
Revista Proteção Outras Publicações Nossos Eventos Eventos SST SuperGuiaNet Loja Virtual Legislação
Download Entidades Galerias Fale Conosco
Loft Digital