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Causos da Prevenção
Histórias divertidas vivenciadas por profissionais de SST - 2018
"Causos da Prevenção" publica alguns fatos vivenciados por profissionais de SST, narrados por um contador de histórias, Seu Guto Velhada.

Se você tem uma história interessante ou engraçada e quer vê-la retratada na Revista Proteção, envie para redacao2@protecao.com.br, que o Seu Guto vai ter prazer em retransmitir o causo.

Diálogo

Colaboração: Alexandre de Jesus Tomé

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Trabalho desde 2014 com assessoria de Segurança do Trabalho para pequenos e médios produtores rurais na região de Holambra/SP e Andradas/MG. Formei-me técnico em Segurança no Trabalho no ano de 2003 e trabalhei 13 anos em uma empresa de agrifloricultura. Nesse período, fiz engenharia ambiental. Depois de sair dessa empresa e entrar na área de assessoria, fiz a pós-graduação em Engenharia de Segurança em 2014. Nesse período que estou com assessoria de segurança, já vivenciei diversas situações curiosas, entre elas, uma que marcou muito foi entender que, no dia a dia, acaba faltando diálogo entre patrão e funcionário.

Certo dia eu estava visitando um cliente em um sítio e acabei me deparando com um trabalhador fazendo o preparo de calda de agrotóxicos, diga-se de passagem um produto extremamente perigoso com base em metomil (faixa vermelha). O que me chamou atenção era que o funcionário não fazia o uso do respirador específico para execução da atividade. Cheguei até esse trabalhador e o questionei porque não usava os EPIs diante de um risco tão alto. Mostrei para ele as indicações existentes no rótulo - pictograma indicando o risco e os equipamentos obrigatórios. Um pouco assustado com minha presença a resposta que tive do trabalhador era que os equipamentos de segurança, em especial a vestimenta hidrorrepelente, já não servia mais para ele, pois havia engordado e ficava desconfortável o uso. E, como a vestimenta ainda era "nova", estava com "medo" de pedir para o patrão uma outra de tamanho maior.

Diante dessa situação, fui falar com o proprietário/patrão, relatando a situação que havia presenciado e alertando que poderia gerar graves consequências ao trabalhador exposto ao risco de intoxicação e que se fazia necessário adequar os equipamentos. Inesperadamente, a resposta que tive do patrão era que não exigia o uso dos EPIs, porque ele tinha medo do mesmo pedir a conta por não querer usar os equipamentos, pois acreditava que os EPIs causavam um certo desconforto ao funcionário. Ele já havia reclamado, em outras ocasiões, de incômodo ao usar os equipamentos.

Na hora, caiu a ficha: o que faltava entre o patrão e o funcionário era diálogo para resolver o problema e esclarecimentos sobre direitos e deveres de ambas as partes. Lição que ficou para mim é que nós, profissionais da área, precisamos estar atentos, sentir se o conhecimento dos direitos e deveres das partes está claro e proporcionar/favorecer a possibilidade do diálogo entre ambos. Depois de uma boa conversa com os envolvidos, dias depois, já estava resolvido o problema.

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Sem exceções

Colaboração: Arilson Stall

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Sou técnico em Segurança do Trabalho e atuo desde 2007 na área. Durante esse período, vivenciei muitas histórias engraçadas e inusitadas nas diversas empresas em que trabalhei, mas, no ano de 2011, após assumir o cargo no serviço público de Itapema/SC, uma dessas histórias me marcou e quero compartilhá-la. Aconteceu quando eu fazia uma inspeção de rotina nas frentes de trabalho da Secretaria Municipal de Obras e uma equipe vinha desempenhando atividades de recuperação do passeio público à beira-mar, fixando palanques de madeira na areia, o qual havia sido danificado devido às fortes chuvas.

Chegando ao local, percebi que um dos trabalhadores estava exercendo suas atividades nas areias da praia sem sua botina de segurança. Como ainda não o conhecia muito bem, porque eu estava trabalhando há pouco tempo na prefeitura, o chamei para conversar, junto a seu supervisor, e o questionei sobre o não uso do equipamento de proteção. Porém esse senhor era daquelas pessoas 50% gênio e 50% louca. Ao ser questionado do motivo pelo qual estava descalço, uma vez que possuía calçado de segurança devidamente registrado em sua ficha de EPI, me deu uma resposta inesperada, falando educadamente:

- "O senhor tem que entender que, para toda a regra, existe uma exceção. Até mesmo para a matemática, que é uma ciência exata, existe o número PI, cujo valor é 3,14, um número infinito... E, pelo fato de eu estar trabalhando na areia da praia, o calçado acaba me incomodando, pois a areia entra nele, causando desconforto, por isso, estou trabalhando descalço."

Após essa resposta, fiquei alguns segundos sem ação, principalmente, por vir de um senhor humilde, com apenas o ensino fundamental. Argumentei com ele sobre a importância da utilização dos equipamentos, da obrigação de seu uso e quanto à prevenção dos acidentes. Após alguns minutos de conversa, esse senhor se convenceu da importância da utilização dos EPIs, bem como da política de segurança adotada. A partir daquela data, ele acabou servindo de exemplo para os demais, tornando-se um disseminador das normas de segurança.

Senti a necessidade de fazer um treinamento com todos os trabalhadores da Secretaria de Obras, para esclarecer suas dúvidas, bem como orientá-los sobre a importância do cumprimento das medidas de segurança. A partir daquele dia, durante os treinamentos que ministro, sempre comento o ocorrido, observando que, mesmo com exceções nas regras, devemos buscar meios para evitar acidentes e/ou doenças ocupacionais, sejam meios de proteção coletivos e/ou individuais.

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Polaco

Colaboração: Edmundo Mayer

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom


Nos meus muitos anos na área de Segurança do Trabalho, em uma das maiores fundições do Brasil, na região do Vale do Rio Paraíba do Sul, cruzei com muitas figuras inesquecíveis. E nosso trabalho era bastante difícil, pois, na época, era necessário levar o conceito de "dono" da segurança para os gerentes e supervisores, mostrando que era possível trabalhar de forma mais segura e que esta condição refletia-se no ambiente de qualidade e produtividade das áreas.

Um desses supervisores era o Polaco. Antigo funcionário operacional da área de acabamento de peças, ele se tornara supervisor por obra de sua garra e determinação. A área que ele supervisionava junto com outros dois supervisores tinha, aproximadamente, 370 funcionários, divididos em vários turnos e turmas, sendo que um dos maiores problemas de acidentes eram os chamados "corpos estranhos metálicos" nos olhos. Tínhamos uma média de 70 a 80 atendimentos por mês para retirada de partículas metálicas dos olhos no ambulatório da empresa. Iniciamos um trabalho muito forte de conscientização, treinamento, cobrança e especificação de óculos mais adequados ao processo, até chegar ao respirador de peça facial total, que praticamente resolveu definitivamente o problema. Os resultados foram decrescendo até a área ter um ou dois eventos por mês.

Desde o primeiro momento, o Polaco esteve ao nosso lado, sempre tomando as atitudes necessárias para que o processo tivesse êxito, tanto que ele era o primeiro a dar exemplo. Não tirava o conjunto capacete, óculos e protetor auricular em momento algum, caminhava pela fábrica, ia a reuniões e ao refeitório sempre mostrando aos seus funcionários que era possível trabalhar de forma protegida e correta.

Um belo dia, depois de mais uma jornada de trabalho, o Polaco chegou ao vestiário da empresa e, como fazia todo dia, tirou o uniforme, pegou sua toalha e foi tomar banho. Enquanto caminhava do armário para os chuveiros, percebeu que a `peãozada’ estava rindo muito e apontando para ele. Indignado, foi tirar satisfação do primeiro que viu pela frente, quando percebeu que estava pelado, mas continuava de capacete, óculos e protetor auricular. Querido Tanini, tenho certeza absoluta de que, onde você estiver, os anjos estão sendo obrigados a utilizar todos os EPIs necessários para fazer suas tarefas. Este texto é uma pequena homenagem a um dos grandes "caras" que cruzaram minha vida: Antônio Celso Tanini Pires.

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Missão impossível

Colaboração: Sandro Javert Teixeira Silva

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom


Sempre nos deparamos com um grande número de cães abandonados pelas ruas da nossa cidade. Cães de todos os tipos, tamanhos e cores. Essa é uma realidade do nosso país, e há um descaso das autoridades para com esse assunto. No nosso dia a dia, sempre tentamos ser solidários e sempre chamamos as equipes responsáveis pelo resgate e para o abrigo desses animais. No último final de semana do mês de outubro de 2017, durante um almoço em família no restaurante em que costumamos ir aos domingos, apareceu por lá, repentinamente, uma cadela faminta que acabara de ter filhotes. Imediatamente, pedimos ao garçom um pequeno recipiente no qual separamos um pouco de comida para a cadela comer também. Nisso, veio o garçom e nos contou que também vinha alimentando a coitadinha, pois a mesma estava com cria e passando fome e frio.

Segundo Ataíde, bom e velho garçom do restaurante, a cadelinha começou a aparecer por lá fazia alguns dias para buscar algo para comer. Coordenador de uma ONG de adoção de cachorros de rua, me contou que ele e a esposa tinham acabado de adotar um casal de cães abandonados e que sempre conhecia pessoas interessadas na adoção de pequeninos. A cadela, que havia parido recentemente no interior de uma obra da construção civil perto do restaurante, era bonita, olhos grandes e de boa estatura. Indaguei ao Ataíde se ele sabia quantos cachorrinhos tinham vindo ao mundo e se já os conhecia, pois havia um casal de amigos e uma colega de trabalho que estavam interessados em adotar animais de estimação.

A ideia animou e contagiou muito nosso salvador de animais. Mas, pouco depois do meu questionamento, o Ataíde se transformou. Mudou de expressão, de humor, ficou indignado, nervoso e sem consolação. Segundo ele, mesmo após várias tentativas, era impossível adentrar a obra para ver os cachorrinhos, pois havia um grupo de pessoas, um pessoal "chato e insuportável", o tal de "Segurança no Trabalho" que o impedia de entrar e que, sem autorização prévia da chefia imediata, seria impossível.

Segundo as informações mais recentes que obtivemos, os cachorrinhos seriam transferidos para uma ONG da cidade para ficarem disponíveis para adoção. Mas o nosso amigo garçom não recebeu a autorização para entrar na obra.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Chorão

Colaboração: Flávio Melo

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Certa vez, no início da minha carreira como técnico em Segurança do Trabalho, atuando há pouco mais de três meses em uma indústria gráfica de São Bernardo do Campo/SP, quando fazia uma inspeção, flagrei, em um determinado setor, um brigadista usando ar comprimido para retirar pedaços de papel grudados na sua roupa e pele. Lembro que essa era uma prática comum entre os funcionários, então, o alertei dos riscos de entrar um cavaco ou até produtos químicos na sua corrente sanguínea, pois ele trabalhava com graxa e solda. Ele retrucou:

- Estou aqui há muitos anos e nunca aconteceu nada, não vai ser agora que você entrou na empresa que vai acontecer.

Aquela resposta me irritou muito, e, sem muita experiência, gritei muito com ele, que continuou sem me dar atenção. Em torno de 15 funcionários encontravam-se no setor. Todo mundo ficou quietinho só escutando. Depois de alguns minutos gritando, falei que iria tirá-lo da Brigada de Incêndio por não dar exemplo aos colegas. Foi então que o cara - barbudo, careca, meio vesgo, vestindo camiseta vermelha com os dizeres Brigada de Incêndio, calça preta e calçado de segurança - começou a chorar (os brigadistas não pagavam almoço)... Seu chefe chegou e o consolou. Assustado, saí de fininho, pensando:

- O que foi que eu fiz? Demorei três anos para me tornar técnico e vou ser demitido em três meses!

Na hora, liguei para minha esposa e contei o que havia ocorrido, e ela falou:

- Fica calmo. Você não vai ser mandado embora por fazer a coisa certa. E se for, arruma outro emprego em uma empresa que valorize a segurança dos funcionários.

Quando cheguei na sala de SST, contei o ocorrido e meu chefe falou que me defenderia, mas solicitou que eu fosse conversar com o cara para não ficar nenhuma má impressão da nossa área. Fiz, então, um DDS no setor. O líder do funcionário chegou a ligar para meu gestor e falou um monte de coisas, mas ficou por isso mesmo.

Eu só sei que, quando aquele brigadista me via, se escondia. Queria ver o diabo, mas não queria me ver. E eu fiquei conhecido na empresa como `o técnico que faz homem chorar’. É claro que, hoje, eu não gritaria com a pessoa como gritei. Foi uma lição para mim. Hoje, penso no que vou falar antes de abordar um funcionário e sempre falo de uma forma diplomática!

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Diversos saberes

Colaboração de Alan Eannes

Ilustração: Beto Soares | Estúdio Boom

Normalmente, encontramos muitas situações de risco e uma certa precariedade quanto à Segurança do Trabalho em canteiros de obras na construção civil. Certa vez, ministrando um curso em um desses ambientes ocupacionais, a situação com que me deparei não era diferente, por diversos fatores, entre eles, muitas atividades ao mesmo tempo, descaso dos encarregados, da direção, pressa para entregar a obra, falta de qualificação e até de educação escolar básica de boa parte dos trabalhadores.

Ao final da aula, necessitei aplicar uma avaliação, pois o Ministério do Trabalho costuma pedir evidências do treinamento e da aprovação dos participantes - infelizmente, é o nosso país do `papel’, o que tem nele nem sempre importa, desde que ele exista, por isso, enfatizo, infelizmente. O fato é que, ao passar a lista de presença, percebi a dificuldade de um colaborador para achar o nome dele (que estava digitado em letra de forma). Ajudei-o e constatei que ele conhecia o `desenho’ do seu nome, não a escrita do próprio, e aquele formato de letra legível para os demais não batia com a assinatura (desenho) que ele sabia reconhecer e fazer. Então me perguntei como ele iria fazer a avaliação se nem mesmo o nome conseguia ler com facilidade.

Conversei com esse trabalhador em um intervalo para o café, e ele me contou parte de sua história de vida (seus amigos de trabalho já tinham me contado que era excelente carpinteiro). Percebi o quanto era inteligente, mas que ainda tínhamos um problema (obstáculo) para ser resolvido: a sua avaliação. Então tive uma ideia que deu certo: entreguei a avaliação a ele e disse para ficar calmo, que já iria ajudá-lo (ele também tinha vergonha da situação). Depois de entregues todas as demais avaliações, sentei ao lado dele e fui lendo questão por questão: ele respondendo oralmente e eu escrevendo o que era dito. Resultado? Aluno aprovado com mérito.

Emociono-me sempre que lembro desse caso, que me faz refletir sobre os `diversos saberes’, a criatividade e o aproveitamento das qualidades que todos temos a oferecer. Claro que ali ainda tínhamos a deficiência do trabalhador com a leitura que deveria ser resolvida, mas ele ficou feliz por me mostrar que sabia, que aprendeu o que ensinei, e eu mais ainda por isso. Para mim, uma lição inesquecível.
 
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