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Edição 3/2018
MATÉRIA DE CAPA
Rotina pesada

Reportagem de Raira Cardoso

Crédito capa: Divulgação Tacchini

Empregando seu esforço para oferecer o melhor atendimento possível aos pacientes, profissionais da saúde sofrem com cargas físicas e mentais presentes nos ambientes hospitalares

Assegurada pela Constituição da República Federativa do Brasil como um direito de todos, a saúde, em especial a qualidade do atendimento oferecido pelos estabelecimentos de saúde, é tema recorrente de discussões. Muito porque o mesmo texto coloca como responsabilidade do Estado garantir que esse direito seja, de fato, usufruído. No entanto, pouco ainda se discute sobre a saúde dos profissionais que atuam nos hospitais, dedicando seus esforços para o conforto e bem-estar da população.

Realizando suas atividades em um ambiente laboral extremamente complexo, esses colaboradores são expostos diariamente a fatores biológicos, físicos, químicos, psicossociais e ergonômicos, sendo este último responsável por muitos afastamentos no setor, principalmente em meio à equipe de enfermagem, devido à movimentação de pacientes. Além dos riscos biomecânicos, comuns também em outras áreas do hospital como higienização e nutrição, os colaboradores ainda passam por problemas de cunho organizacional, como as longas jornadas de trabalho e a pequena equipe disponível frente à grande demanda encontrada. Soma-se a isto a carga mental, que sujeita os profissionais a terem que lidar com o `peso’ do sofrimento e da morte. Nessa reportagem sobre ergonomia hospitalar apontamos quais são as principais dificuldades encontradas nesses ambientes laborais e como o desenvolvimento de uma visão voltada à Saúde e Segurança do Trabalho pode mudar essa situação. Algumas instituições que já começaram a trilhar o caminho da prevenção deram o seu depoimento à Proteção.



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Em busca de um novo modelo

FOTO: Arquivo do Autor

Entrevista à jornalista Daniela Bossle

Transformações globais impõem olhar diferenciado para a saúde do trabalhador

O médico do Trabalho e especialista em Saúde Pública Zuher Handar, 60 anos, nascido em Castilho/SP e com família de origem libanesa, tem uma trajetória marcante na área de saúde do trabalhador. Desde a década de 1980 atua junto à Faculdade Evangélica do Paraná como professor nas disciplinas de Saúde Coletiva e Saúde do Trabalhador e também no Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba, onde é consultor. Também nos anos 80 ingressou na Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, atuou na vigilância de trabalhadores expostos a agrotóxicos e iniciou a estruturação do programa de saúde do trabalhador daquele estado.

Suas iniciativas pioneiras na área renderam-lhe nos anos de 1990 a chefia da Fundacentro/PR e, em seguida, o convite para assumir a Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho no período de 1995 a 1999. De volta à Curitiba, na década seguinte, dirigiu o Departamento de Saúde Ocupacional da Prefeitura local e aproximou-se mais da área associativa, tendo sido presidente da Anamt - Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Incansável e idealista, Zuher quer fazer mais pela saúde do trabalhador brasileiro e é com este espírito que assume a liderança da recém-criada Abrastt - Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. À frente da nova entidade, diz que a ideia é "criar um espaço que oportunize a participação de profissionais interessados e preocupados com o cuidado da saúde dos trabalhadores enquanto direito fundamental, independente da sua categoria profissional".

Em dezembro foi fundada a Abrastt (Associação Brasileira de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora). O que motivou a fundação desta entidade?
Este movimento social não corporativo tem raízes múltiplas, antigas, mas não velhas. A entidade quer dar visibilidade em nosso país à defesa da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, cada vez mais ameaçada. Este foi um dos motivos que nos estimulou a criar um espaço que oportunizasse a participação de profissionais interessados e preocupados com o cuidado da saúde dos trabalhadores enquanto direito fundamental, independente da sua categoria profissional. Lutar pelos direitos conquistados, por novas políticas públicas na área e pela manutenção das já existentes é algo que muitos de nós estão fazendo há muito tempo e, quando em 2016, os movimentos do Poder Executivo e Legislativo Federal, com ímpetos destruidores de importantes conquistas históricas dos trabalhadores, principalmente em relação a direitos sociais na esfera da Seguridade Social, especialmente Saúde, Trabalho e Previdência, tomaram conta de nossas vidas, entendemos ser o momento de fortalecermos este movimento social junto a tantos outros. Era a hora de somar esforços. Havia a necessidade, assim como a oportunidade de ocupar espaços políticos e institucionais de promoção e defesa da saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras, não cobertos pelas instituições e entidades profissionais que existem hoje.



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Prêmio Proteção Brasil

Inovar para mudar

Albert Einstein / Case Ouro na Categoria Formação e Comunicação em SST no Prêmio Proteção Brasil 2017

Foto: SBIBAE

Instituição de saúde saiu do tradicional para treinar e comunicar em prol da Segurança do Trabalho

A implantação de uma rotina de treinamentos institucionais periódicos de Segurança do Trabalho com metodologias diferenciadas e a utilização de meios alternativos e assertivos para comunicar assuntos de SST vêm contribuindo para a redução de acidentes e doenças ocupacionais na Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. As ações fazem parte do projeto `Inovando em Segurança do Trabalho para Melhor Treinar e Comunicar’, case vencedor da categoria Formação e Comunicação em SST do Prêmio Proteção Brasil 2017.

"O planejamento estratégico institucional da SBIBAE considera, fortemente, o investimento em treinamento e comunicação para que os colaboradores estejam cada vez mais seguros, por meio do conhecimento e da informação. Esse direcionamento representa uma busca contínua para torná-la uma instituição de alta confiabilidade e, consequentemente, atingir o zero acidente", afirma a diretora de Práticas Assistenciais, Qualidade, Segurança e Meio Ambiente, a enfermeira Cláudia Garcia de Barros. "A instituição saiu do tradicional para treinar e comunicar. Usou ferramentas inovadoras para obter resultados de aprendizados mais duradouros em prol da redução dos acidentes", afirma a gerente de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, a engenheira Patrícia Maria dos Santos Chaves.



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Prêmio Proteção Brasil

Ações efetivas pela segurança

Arcos Dourados / Case Ouro na Categoria Gerenciamento de Riscos no Prêmio Proteção Brasil 2017

Foto: Mauricio Fernandes Photo4life

Companhia que opera rede McDonald’s no Brasil investe em melhores práticas de SSMA

A adoção de ações efetivas de SSMA (Saúde, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente) vem contribuindo para a redução de doenças e acidentes ocupacionais e favorecendo os negócios da Arcos Dourados Comércio de Alimentos, que opera a rede McDonald’s na América Latina. As iniciativas também resultaram na conquista do ouro na categoria Gerenciamento de Riscos no Prêmio Proteção Brasil 2017 com o case `Práticas de gerenciamento de risco’. "Monitoramos novas tendências, analisamos, desenvolvemos e implementamos constantemente as melhores práticas para beneficiar os funcionários, tornando o ambiente de trabalho cada vez mais seguro e sustentável. Essa postura é da mais alta relevância para a companhia, visando ao atendimento dos requisitos legais aplicáveis e, principalmente, promovendo a melhoria na gestão do negócio e das pessoas que fazem parte dele, dia após dia", afirma o especialista em Segurança do Trabalho da empresa, Bruno Rocha Ayala Rodrigues.

Presente em 119 países, a rede McDonald’s é operada pela Arcos Dourados (Barueri/SP) no Brasil desde 2007. São cerca de 570 unidades que empregam mais de 30 mil pessoas, excluindo-se os restaurantes controlados por franqueados. "Trabalhamos incansavelmente para prevenir acidentes. Isso está no DNA da empresa. Mesmo com nosso grande universo de pessoas, para nós, um único acidente já é demais. Por isso, incorporar as práticas corretas de SSMA é fundamental", observa o gerente de SSMA, Fabio Madrid Lacerda.



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Estamos melhorando?

Foto: Divulgação Honeywell Segurança Industrial

AUTOR: Erny Francisco Pereira Filho

A informação é a melhor ferramenta para evitar acidentes nestes locais


A Norma Regulamentadora nº 33 - Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados foi aprovada pela Portaria nº 202 do Ministério do Trabalho e publicada no Diário Oficial da União em 27 de dezembro de 2006. Portanto, já tivemos nada mais, nada menos do que 11 anos completos para implantação e adequação dos procedimentos e requisitos da norma com relação ao assunto. A NR 33 é de cumprimento obrigatório pelos empregadores, inclusive, os constituídos sob a forma de microempresa ou empresa de pequeno porte que possuem espaços confinados. A Norma possui cinco itens (Objetivo e Definição; Responsabilidades; Gestão de Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados; Emergência e Salvamento e Disposições Gerais) e três anexos (I - Sinalização para Identificação de Espaço Confinado; II - Permissão de Entrada e Trabalho e III - Glossário).

Podemos perceber avanços significativos em todos os setores econômicos relativos à NR 33. No entanto, identificamos ainda oportunidades de melhoria, seja nos procedimentos implantados ou ainda a implantar. Indicadores disso? Acidentes que ainda ceifam vidas de trabalhadores nestes ambientes em todo o país e nos mais diversos segmentos de atividades econômicas. Acidentes estes, em sua grande maioria, perfeitamente evitáveis por meio do cumprimento dos requisitos da Norma.



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Valores defasados

FOTO: Foto meramente ilustrativa

AUTORES:  André R. Cota e Fernando A. Cláudio

Agentes químicos da NR 15 têm limite de tolerância acima do previsto pela ACGIH

A relação entre o aparecimento de doenças e o trabalho é tema de estudo desde os primórdios. Hoje, sabe-se que os agentes químicos, físicos, biológicos, ergonômicos, psicossociais e de acidentes são aqueles responsáveis por prejudicar a integridade física e a saúde do trabalhador e, consequentemente, a sua qualidade de vida. O estabelecimento de limites de tolerância para agentes químicos é uma ferramenta de controle e um modo de inibir que os produtos utilizados no trabalho contaminem o trabalhador a ponto de adoecê-lo. A ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists), publicou pela primeira vez em 1946 uma lista de limites de exposição para agentes químicos e, desde então, revisa e atualiza estes limites, anualmente, de modo que os referidos valores, em sua grande maioria, têm decrescido com o passar do tempo.

A legislação brasileira, para estabelecer os seus limites de tolerância a agentes químicos, utilizou os limites definidos pela ACGIH em 1976, devidamente corrigidos para a jornada de trabalho nacional permitida à época, porém, não atualiza os valores desde a sua data de publicação, 1978. Neste artigo, se comparam os limites de exposição ocupacional propostos pelas duas referências, ACGIH e NR 15. A partir desta comparação são apresentados indicadores que demonstram que a maioria dos limites constantes na NR 15 para os agentes químicos está defasada e que a exposição à quase metade destes agentes é potencialmente prejudicial à saúde, no entender da ACGIH. Entretanto, não é sequer necessário o monitoramento da mesma no âmbito da legislação nacional.




Veja a bibliografia usada neste artigo.





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Fatores de risco

ILUSTRAÇÃO: Beto Soares/Estúdio Boom

AUTORAS: Roberta Coimbra Velez de Andrade e Rita de Cássia Pereira Fernandes*

Ruído e trabalho em turnos podem estar associados à hipertensão arterial sistêmica

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) constitui um importante problema de saúde pública da atualidade, com uma prevalência de 22,7% (em 2011) para a população brasileira com idade superior a 18 anos. É o principal fator de risco para doenças cardiovasculares e foi a primeira causa de morte no Brasil no ano de 2008, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, a HAS pode ser definida como o aumento sustentado da pressão arterial (PA) sistólica ou diastólica com medida igual ou maior a 140 e 90 mmHg, respectivamente, detectado em duas aferições realizadas em momentos distintos.

Sabe-se que a etiologia da HAS é multifatorial. Entre os fatores associados ao seu desenvolvimento estão idade, gênero, etnia, excesso de peso e obesidade, ingestão de sal e de álcool, sedentarismo, hereditariedade e fatores socioeconômicos. Ademais, discute-se na literatura internacional a exposição a fatores ocupacionais como um risco independente para o desenvolvimento de hipertensão. Alguns estudos apontam ruído, trabalho em turnos, e exposição a alguns agentes químicos como associados ao aumento dos níveis pressóricos. Outros artigos relacionam o estresse no ambiente de trabalho, como um fator biopsicossocial associado à hipertensão. Nesse contexto, é introduzido o conceito biológico do estresse e seu efeito sistêmico, no qual a ativação adrenérgica, por meio da liberação de hormônios reguladores da pressão arterial, promoveria vasoconstrição periférica e, consequentemente, elevação dos níveis pressóricos.

* Artigo originalmente publicado na Revista Brasileira de Medicina do Trabalho -  Volume 14 - Número 3 - 2016




Veja a bibliografia usada neste artigo.





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